Cloasma

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Cloasma: O Que É, Causas e Como Tratar as Manchas

O cloasma é uma das condições de pele que mais gera dúvidas — começando pelo nome. Qual a diferença entre cloasma e melasma? Por que as manchas aparecem na gravidez ou com anticoncepcional? E como tratar de forma segura e eficaz? Este guia responde tudo com base científica atualizada.

O que é cloasma?

O cloasma — também chamado de cloasma gravídico ou "máscara da gravidez" — é uma forma de hiperpigmentação cutânea caracterizada pelo surgimento de manchas escuras, irregulares e simétricas no rosto. Está catalogado sob o CID-10 L81.1, o mesmo código do melasma.

A aparência é típica: manchas de coloração que vai do marrom-claro ao cinza-acastanhado, com bordas imprecisas, surgindo geralmente nos dois lados do rosto ao mesmo tempo. As regiões mais afetadas são a fronte, as maçãs do rosto, o nariz e o lábio superior.

Qual a diferença entre cloasma e melasma?

A resposta direta: cloasma e melasma são, na prática, a mesma condição. A diferença é de nomenclatura e contexto histórico.

Termo Significado Uso
Cloasma Melasma desencadeado por gravidez ou anticoncepcionais hormonais Termo histórico, ainda amplamente usado pela população
Melasma Hiperpigmentação cutânea facial de qualquer origem Termo preferido na dermatologia atual (SBD)

Ambos têm o mesmo CID-10: L81.1. Na vida prática, quando alguém diz cloasma, está geralmente falando das manchas que surgiram durante a gravidez. Se você está buscando por cloasma gravidez ou melasma gestacional, está procurando pela mesma coisa.

Por que o cloasma surge?

O cloasma é multifatorial: três elementos precisam se combinar para ele aparecer.

1. Fator hormonal

Estrogênio e progesterona — hormônios que sobem muito na gravidez e em quem usa anticoncepcionais combinados — sensibilizam os melanócitos, tornando-os muito mais reativos à luz UV. O hormônio estimulador de melanócitos (MSH), também elevado na gestação, amplifica esse efeito. Por isso o cloasma também pode aparecer em quem inicia a pílula anticoncepcional combinada.

2. Exposição à radiação UV

A luz solar é o grande gatilho. A radiação UV-A estimula diretamente os melanócitos a produzirem mais melanina. Ponto importante: o UV-A atravessa vidros e nuvens. Proteção solar é necessária mesmo dentro de casa, em dias nublados e em frente a janelas.

Evidência científica

Estudos estimam que o melasma afeta entre 50% e 70% das gestantes, com variação conforme o fototipo e a intensidade da exposição solar. A condição é mais prevalente em mulheres de fototipos mais escuros e com histórico familiar. (Handel et al., Anais Brasileiros de Dermatologia, 2014)

3. Predisposição genética

Nem todas as grávidas desenvolvem cloasma. A condição é mais prevalente em mulheres de pele morena ou negra (fototipos III a VI) e com histórico familiar de melasma. Se sua mãe ou irmã tiveram, a chance de você desenvolver é maior.

Onde aparece e como o dermatologista avalia

O cloasma segue padrões anatômicos previsíveis:

  • Padrão centrofacial: fronte, nariz, filtro labial e queixo — o mais comum
  • Padrão malar: maçãs do rosto e nariz
  • Padrão mandibular: linha da mandíbula — menos frequente

A profundidade da pigmentação também importa para o tratamento:

  • Epidérmica: mais superficial, coloração marrom mais escura sob lâmpada de Wood; tende a responder melhor aos ativos tópicos
  • Dérmica: mais profunda, coloração acinzentada; resposta mais lenta
  • Mista: combinação dos dois — o tipo mais comum

A lâmpada de Wood é o instrumento diagnóstico usado pelo dermatologista para avaliar essa profundidade. Uma avaliação presencial é sempre recomendada antes de iniciar qualquer protocolo.

Cloasma tem cura?

É importante ser honesto aqui: o cloasma e o melasma são condições crônicas, sem cura definitiva — mas são altamente controláveis com o protocolo adequado.

Em muitas mulheres, após o parto ou a suspensão do anticoncepcional, as manchas clareiam espontaneamente ao longo de alguns meses, à medida que os níveis hormonais se normalizam. Isso acontece especialmente em casos de pigmentação epidérmica.

A tendência à recidiva é a principal característica do cloasma. Sol sem proteção pode trazer as manchas de volta mesmo após um tratamento bem-sucedido. Fotoproteção contínua não é apenas parte do tratamento — é permanente.

Como tratar o cloasma

Fotoproteção: o pilar insubstituível

Nenhum ativo despigmentante funciona de forma consistente sem fotoproteção rigorosa e diária. O protetor solar FPS 50+ deve ser aplicado todas as manhãs, reaplicado a cada 2 horas em exposição direta ao sol, e usado mesmo em dias sem sol e dentro de casa. Filtros físicos (dióxido de titânio, óxido de zinco) são especialmente indicados para peles com melasma ativo.

Ativos despigmentantes amplamente utilizados

Os ativos abaixo atuam inibindo etapas diferentes da produção de melanina e são compatíveis com uso cosmético:

  • Niacinamida: inibe a transferência de melanossomas para as células da pele; bem tolerada, inclusive durante a gestação
  • Vitamina C estabilizada: antioxidante + inibição da tirosinase; ação uniformizadora progressiva
  • Ácido kójico (concentrações cosméticas): inibidor de tirosinase; aceito na gestação em formulações cosméticas
  • Ácido azelaico: Categoria B FDA; ação anti-inflamatória e despigmentante; pode ser indicado durante a gestação

Ativos prescricionais (após gestação e amamentação)

Sob prescrição e acompanhamento dermatológico, outros recursos podem ser incorporados após o término da amamentação:

  • Tretinoína (retinoide tópico): ação renovadora intensa — contraindicada na gravidez
  • Hidroquinona em formulação controlada: potente despigmentante — contraindicada na gestação
  • Ácido glicólico em concentrações intermediárias: renova as camadas superficiais da pele

Procedimentos (fora da gestação)

Peelings químicos, luz intensa pulsada (LIP) e laser Q-switched são opções avaliadas pelo dermatologista após o término da amamentação, dependendo do grau de pigmentação e do tipo de pele.

Linha do tempo realista

Com protocolo tópico consistente e fotoproteção rigorosa, resultados visíveis costumam aparecer em 3 a 6 meses. Procedimentos podem acelerar esse processo. A constância é insubstituível — aplicar protetor solar apenas alguns dias por semana, por exemplo, compromete todo o resultado.

Cloasma na gravidez: cuidados especiais

Durante a gestação, o protocolo de cuidados deve ser adaptado. Confira o que é seguro e o que deve ser evitado:

Ativo / Procedimento Gravidez
Fotoproteção FPS 50+ (filtros físicos) Seguro e recomendado
Niacinamida (concentrações cosméticas) Seguro
Vitamina C estabilizada Seguro
Ácido kójico (concentrações cosméticas) Aceito em uso cosmético
Ácido azelaico Categoria B FDA — indicado com acompanhamento médico
Retinol e retinóides Contraindicado
Hidroquinona (alta concentração) Contraindicado
Peelings químicos profundos Adiar para pós-parto
Laser e procedimentos ablativos Adiar para pós-parto

Após o parto, muitas gestantes observam clareamento espontâneo. Após o término da amamentação, o protocolo completo pode ser avaliado com o dermatologista. Saiba mais em nossa página específica sobre manchas no rosto na gravidez.

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Perguntas Frequentes

Cloasma e melasma são a mesma coisa?

Sim, na essência são a mesma condição. Cloasma é o termo histórico que se refere ao melasma desencadeado por fatores hormonais — especialmente gravidez e uso de anticoncepcionais orais. Melasma é o termo mais abrangente e atual, preferido na prática dermatológica. Ambos têm o mesmo CID-10 (L81.1). Na prática, quando alguém diz "cloasma", geralmente está falando sobre as manchas que surgiram durante a gravidez.

O cloasma some depois do parto?

Em muitos casos, sim. Após o parto, com a queda dos níveis hormonais, as manchas tendem a clarear gradualmente ao longo de 3 a 12 meses. Porém isso não é garantido — e, sem fotoproteção rigorosa, as manchas podem persistir ou voltar rapidamente com a exposição solar. Mulheres com predisposição genética ao melasma têm maior probabilidade de precisar de tratamento complementar após a amamentação.

Qual ativo é mais eficaz para tratar cloasma?

O pilar insubstituível é a fotoproteção FPS 50+ — sem ela, nenhum ativo funciona de forma consistente. Entre os despigmentantes, a niacinamida, a vitamina C estabilizada, o ácido kójico e o ácido azelaico são amplamente utilizados e aceitos. Após o término da amamentação, o dermatologista pode indicar ativos mais potentes como tretinoína ou hidroquinona. O resultado esperado com protocolo tópico é de 3 a 6 meses de uso contínuo.

O cloasma volta depois de tratar?

Sim, o cloasma tem tendência crônica à recidiva. A exposição solar sem proteção é o principal gatilho para o retorno das manchas — mesmo após tratamento bem-sucedido. Por isso, o uso diário de protetor solar FPS 50+ não tem fim: faz parte do protocolo de manutenção pelo resto da vida para quem tem predisposição.

Anticoncepcional hormonal pode causar cloasma?

Sim. Os anticoncepcionais combinados (com estrogênio e progesterona) são um gatilho hormonal bem documentado para o desenvolvimento do cloasma em mulheres predispostas. O mecanismo é o mesmo da gravidez: os hormônios sensibilizam os melanócitos à ação do UV. Se as manchas surgiram após o início do anticoncepcional, o ginecologista pode avaliar alternativas — como métodos não hormonais ou contraceptivos com diferente perfil hormonal.

Quanto tempo leva para o cloasma clarear com tratamento?

Com um protocolo tópico adequado — fotoproteção rigorosa combinada com ativos despigmentantes — é possível observar melhora visível em 3 a 6 meses de uso contínuo. Procedimentos como peelings e laser (disponíveis fora da gestação) podem acelerar os resultados. A paciência e a constância são fundamentais: aplicar protetor solar apenas alguns dias por semana, por exemplo, compromete todo o resultado.

Aviso médico (YMYL): Este conteúdo tem caráter informativo e educacional. Não substitui consulta com médico, dermatologista ou ginecologista-obstetra. A segurança de ingredientes cosméticos pode variar conforme concentração, formulação e condição individual de saúde. Sempre consulte seu profissional de saúde antes de iniciar qualquer rotina de skincare, especialmente durante a gestação ou amamentação.

Referências

  1. Handel AC et al. Melasma: a clinical and epidemiological review. An Bras Dermatol. 2014;89(5):771-82. doi:10.1590/abd1806-4841.20143063
  2. Passeron T, Picardo M. Melasma, a photoaging disorder. Pigment Cell Melanoma Res. 2018;31(4):461-465. doi:10.1111/pcmr.12684
  3. Rodrigues M et al. Melasma. Nat Rev Dis Primers. 2022;8(1):14. doi:10.1038/s41572-022-00342-y