Ácido fólico: para que serve, sinais de falta e quem precisa tomar

Fórmula Femme Nutri Rituária com folato

O ácido fólico é a forma sintética do folato, a vitamina B9. Ele serve para dar ao corpo o folato de que ele precisa para produzir DNA, completar a divisão das células e formar as células vermelhas do sangue. Por isso a necessidade aumenta nos momentos em que o organismo está construindo tecido em ritmo acelerado — o exemplo mais claro é o início da gestação, quando o tubo neural do bebê se fecha nas primeiras semanas, muitas vezes antes de a mulher saber que está grávida.

O que você precisa saber sobre o ácido fólico, em resumo:

  • Ácido fólico, folato e metilfolato não são a mesma coisa — um é sintético, outro vem dos alimentos e o terceiro é a forma ativa no corpo.
  • A função central é a divisão celular: síntese de DNA e formação de hemácias.
  • Para quem pode engravidar, a recomendação é começar antes da concepção, não depois do teste positivo.
  • No Brasil, as farinhas de trigo e milho são fortificadas com ácido fólico desde 2004.
  • Excesso de ácido fólico pode esconder a falta de B12 — por isso as duas vitaminas costumam ser avaliadas juntas.

Ácido fólico, folato e metilfolato: qual é a diferença

Os três nomes aparecem como sinônimos, mas descrevem moléculas diferentes, como mostra a revisão de Scaglione e Panzavolta.

  • Folato é o nome do grupo de compostos presentes naturalmente nos alimentos, como folhas verde-escuras, feijões, lentilha, grão-de-bico e fígado.
  • Ácido fólico é a forma sintética, mais estável, usada em suplementos e na fortificação de alimentos. Ele não é ativo por si só: precisa ser convertido pelo fígado em etapas sucessivas até chegar à forma que as células usam.
  • 5-metiltetra-hidrofolato (5-MTHF), ou metilfolato, é a forma ativa que circula no sangue e entra nas células. Ela também é vendida pronta em suplementos.

A revisão aponta que a primeira etapa de conversão do ácido fólico é lenta em humanos. Quando a ingestão de ácido fólico é alta, parte dele pode circular no sangue sem ser metabolizada. Esse é um dos argumentos usados para oferecer o metilfolato como alternativa. Na prática, o ácido fólico é a forma com mais estudos de longo prazo, inclusive todos os grandes ensaios sobre gestação, e continua sendo a referência das recomendações oficiais.

O que o ácido fólico faz no corpo

O folato transporta pequenos fragmentos de carbono dentro das células, função que sustenta três processos.

O primeiro é a síntese de DNA. Para copiar o material genético antes de se dividir, a célula precisa de bases que dependem do folato para ser produzidas. Tecidos que se renovam rápido — medula óssea, mucosa do intestino, pele, folículo do cabelo e o embrião em formação — são os primeiros a sentir a falta.

O segundo é a formação das células vermelhas do sangue. Sem folato suficiente, as células precursoras na medula crescem, mas não conseguem completar a divisão. O resultado são hemácias grandes e em menor número.

O terceiro é o ciclo da metilação. O metilfolato doa um grupo metil para transformar a homocisteína em metionina, numa reação que também depende da vitamina B12. Quando falta folato ou B12, a homocisteína se acumula no sangue — por isso esse marcador aparece em exames que investigam as duas vitaminas.

A forma correta de resumir o papel do ácido fólico é esta: ele contribui para a divisão celular normal, auxilia na formação normal do sangue e contribui para o crescimento dos tecidos maternos durante a gestação. A referência de ingestão adotada internacionalmente (DRI) para adultos é de 400 µg de equivalentes de folato por dia, valor que sobe na gestação e na amamentação.

Ácido fólico na gestação: por que começar antes de engravidar

O tubo neural, estrutura que dá origem ao cérebro e à medula espinhal, se fecha por volta do primeiro mês de gestação. Falhas nesse fechamento causam os defeitos do tubo neural, como a espinha bífida e a anencefalia. Como esse período costuma acontecer antes da confirmação da gravidez, começar o ácido fólico só depois do teste positivo perde a janela mais importante.

A revisão sistemática que embasou a recomendação da força-tarefa americana de serviços preventivos (USPSTF), publicada no JAMA em 2023, reuniu nova evidência de que a suplementação com ácido fólico está associada a menor risco de defeitos do tubo neural e não encontrou sinal de dano nos desfechos avaliados: gestação múltipla, autismo e câncer materno. A recomendação resultante vale para todas as pessoas que podem engravidar: 0,4 a 0,8 mg (400 a 800 µg) de ácido fólico por dia, começando pelo menos um mês antes da concepção e mantendo nos primeiros meses da gestação.

Histórico de gestação afetada, uso de certos anticonvulsivantes ou diabetes podem mudar a orientação de dose, definida no pré-natal.

A fortificação das farinhas no Brasil

Desde 2004, toda farinha de trigo e de milho vendida no Brasil precisa ser fortificada com ferro e ácido fólico. A medida existe porque muitas gestações não são planejadas, e a fortificação faz o folato chegar a quem não tomaria suplemento a tempo.

Um estudo brasileiro publicado em 2023 na PLoS One estimou os casos de defeitos do tubo neural evitados depois da fortificação e a economia de custos de saúde associada. A conclusão foi favorável à política: menos casos e gasto evitado para o sistema de saúde.

Na prática, quem consome pão e massas já recebe parte do ácido fólico pela alimentação, e quem soma isso a um ou mais suplementos pode passar bem do necessário sem perceber.

Excesso de ácido fólico e vitamina B12: o cuidado que pouca gente conhece

A falta de B12 também causa anemia com hemácias grandes, igual à da falta de folato, porque as duas vitaminas trabalham no mesmo ciclo. Ácido fólico em dose alta consegue corrigir essa anemia mesmo quando o problema de fundo é a B12. O exame de sangue melhora, mas a deficiência de B12 continua, e com ela o risco de dano neurológico, que pode progredir sem o sinal de alerta da anemia.

A revisão de Miller e colegas, publicada em 2024, discute esse efeito de mascaramento e também a hipótese de que o excesso de ácido fólico possa agravar as alterações neurológicas em quem já tem B12 baixa. Os autores tratam essa segunda parte como uma questão ainda em aberto, com evidência limitada, mas suficiente para justificar atenção a quem tem risco de falta de B12.

É por isso que existe um limite superior de ingestão de 1.000 µg por dia de ácido fólico sintético para adultos, somando suplementos e alimentos fortificados, salvo orientação profissional. E é por isso que veganos, pessoas mais velhas e quem usa metformina ou inibidores de bomba de prótons por muito tempo devem avaliar as duas vitaminas juntas. Os grupos de risco e os exames da B12 estão no post sobre para que serve a vitamina B12.

MTHFR: precisa fazer o teste?

MTHFR é a enzima que faz a última etapa da conversão até o metilfolato. Algumas variantes no gene dessa enzima, como a chamada C677T, reduzem sua atividade. Elas são comuns na população geral, e a maioria das pessoas que as carrega não tem nenhum problema de saúde por causa disso.

Nas redes, circula a ideia de que todo mundo deveria se testar e evitar o ácido fólico. A recomendação da USPSTF para gestação vale para todas as pessoas que podem engravidar, sem distinção por genótipo, e a variante é comum demais para servir de motivo, sozinha, para trocar a orientação. Quando há homocisteína elevada sem explicação ou histórico específico, a investigação é decidida pelo médico.

Como o folato aparece nas fórmulas

Folato raramente aparece sozinho em fórmulas de uso geral. A combinação mais comum é o complexo B, em que ele vem ao lado da B12, da B6 e das demais vitaminas do grupo. A visão geral do grupo, vitamina por vitamina, está no post sobre o que cada vitamina do complexo B faz; aqui o foco é só o folato.

Ele também entra nos multivitamínicos, tanto em multivitamínico para mulher quanto em multivitamínico para homens. Na Rituária, o folato está presente na Fórmula Complexo B, na Fórmula Femme Nutri e no Nutri Men.

Ao comparar, confira no rótulo a forma (ácido fólico ou metilfolato), a quantidade por porção e se a fórmula traz B12, e some o folato de todos os produtos que você usa. Para gestação ou tentativa de engravidar, a escolha da fórmula e da dose é feita com o profissional do pré-natal.

Perguntas frequentes

O que a falta de ácido fólico causa no organismo?

A falta de folato afeta primeiro os tecidos que se renovam rápido. O efeito mais conhecido é a anemia megaloblástica: sem folato, as células precursoras do sangue não completam a divisão, e as hemácias ficam grandes e em menor número. Os sintomas são os de qualquer anemia — cansaço persistente, palidez, falta de ar aos esforços, palpitações —, às vezes acompanhados de língua lisa e dolorida, feridas na boca e alterações intestinais. A homocisteína também tende a subir no sangue. Na gestação, a falta de folato nas primeiras semanas está associada a maior risco de defeitos do tubo neural no bebê. O ponto de atenção é que a anemia por falta de folato é igual à causada pela falta de B12, e as duas pedem tratamentos diferentes. Por isso o diagnóstico depende de exames que dosem as duas vitaminas, e não só do hemograma ou da lista de sintomas.

Em que situações o ácido fólico tem benefício comprovado?

A evidência mais sólida é para os defeitos do tubo neural, como espinha bífida e anencefalia. Estudos em vários países mostraram que a suplementação antes da concepção e no início da gestação está associada a menor risco desses defeitos, e foi esse conjunto de dados que levou à recomendação para todas as pessoas que podem engravidar e à fortificação obrigatória das farinhas no Brasil. Corrigir uma deficiência também resolve a anemia causada por ela, desde que a falta de B12 tenha sido descartada. Para outros desfechos — doenças cardiovasculares, declínio cognitivo, câncer —, a ideia de que tomar mais ácido fólico protege não tem a mesma sustentação. Baixar a homocisteína com vitaminas do complexo B não se traduziu de forma consistente em menos eventos clínicos. Por isso o ácido fólico deve ser entendido como nutriente essencial, e não como proteção geral contra doenças.

Quem precisa tomar ácido fólico?

O grupo com recomendação clara é o das pessoas que podem engravidar: a orientação é tomar 0,4 a 0,8 mg por dia, começando pelo menos um mês antes da concepção, porque o tubo neural se fecha no início da gestação. Durante a gravidez, a dose e o tempo de uso são definidos no pré-natal. Fora da gestação, a suplementação faz sentido para quem tem deficiência confirmada ou maior risco de falta: pessoas com alimentação pobre em vegetais e leguminosas, consumo alto de álcool, doenças intestinais que reduzem a absorção, cirurgia bariátrica ou uso de medicamentos que interferem no metabolismo do folato, como metotrexato e alguns anticonvulsivantes. Quem come bem e consome alimentos com farinha fortificada costuma atingir a necessidade sem suplemento. Em todos os casos de uso contínuo, vale avaliar a B12 junto, para não mascarar uma deficiência.

O que o ácido fólico faz no cabelo?

O folículo do cabelo é um dos tecidos com divisão celular mais intensa do corpo, e o folato participa dessa divisão. Isso explica por que deficiências nutricionais, incluindo a de folato, podem aparecer como queda ou cabelo mais fraco. A relação, porém, vale para quem tem falta. Em quem já tem níveis adequados, não há evidência de que tomar mais ácido fólico faça o cabelo crescer mais rápido, ficar mais grosso ou cair menos. A queda de cabelo tem muitas causas — ferro baixo, alterações de tireoide, fatores hormonais, estresse, pós-parto, uso de medicamentos —, e o folato é só uma das possibilidades. Por isso, diante de queda persistente, o caminho mais útil é investigar a causa com exames e com um profissional, em vez de começar um suplemento esperando efeito estético. Se a deficiência for confirmada, corrigir o folato pode fazer parte do tratamento.

Ácido fólico ou metilfolato: qual é melhor?

Os dois fornecem folato ao organismo, e a diferença é menor do que o marketing costuma sugerir. O ácido fólico é sintético e estável, precisa ser convertido até a forma ativa e é a forma testada nos grandes estudos sobre gestação — é nele que se baseiam as recomendações oficiais. O metilfolato já é a forma ativa, dispensa a conversão e não deixa ácido fólico sem metabolizar circulando no sangue, o que leva algumas fórmulas a preferi-lo. Ter uma variante do gene MTHFR, comum na população, não é motivo por si só para trocar de forma nem para fazer teste genético de rotina. Na hora de escolher, pesam mais a quantidade por porção, a soma com outros produtos e alimentos fortificados e a presença de B12 na fórmula. Para gestação, a decisão sobre forma e dose é do pré-natal.

Referências

  1. Viswanathan M; Urrutia RP; Hudson KN; Middleton JC et al. Folic Acid Supplementation to Prevent Neural Tube Defects: Updated Evidence Report and Systematic Review for the US Preventive Services Task Force. JAMA. 2023;330(5):460-466. PMID: 37526714
  2. Miller JW; Smith A; Troen AM; Mason JB et al. Excess Folic Acid and Vitamin B12 Deficiency: Clinical Implications? Food Nutr Bull. 2024;45(1_suppl):S67-S72. PMID: 38987872
  3. Scaglione F; Panzavolta G. Folate, folic acid and 5-methyltetrahydrofolate are not the same thing. Xenobiotica. 2014;44(5):480-8. PMID: 24494987
  4. Rodrigues VB; Silva END; Dos Santos AM; Santos LMP. Prevented cases of neural tube defects and cost savings after folic acid fortification of flour in Brazil. PLoS One. 2023;18(2):e0281077. PMID: 36812183

Conteúdo informativo, sem finalidade de diagnóstico ou tratamento. Suplementos não substituem alimentação equilibrada nem acompanhamento profissional. Consulte um profissional de saúde antes de iniciar qualquer suplementação, especialmente em caso de gestação, tentativa de engravidar, amamentação, deficiência de vitamina B12 ou uso de medicamentos como metotrexato, anticonvulsivantes e metformina.